Antônio Carvalho Neto
De Poesia ninguém morre... se vive!
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Textos



IV Sarau Literário da Escola Monsenhor Cícero Portela Nunes... meu encontro com a Poesia Marginal!

 
Ontem participei do "IV Sarau de Literatura da Escola Monsenhor Portela Nunes", em companhia dos ilustres escritores/poetas piauienses, Benjamim Pessoa, Pedro Laurentino Reis Pereira e João Ribeiro de Carvalho Neto... quando, fomos homenageados pelos textos produzidos ao longo de nossa trajetória literária.

Foi mais que uma homenagem: uma maravilhosa manhã proporcionada pela diretoria da instituição de ensino, por seus coordenadores, professores e, especialmente, pelos alunos.

Fomos recebidos generosamente pelo ilustre diretor do educandário, Carlos Alberto Viana Fortes e por toda a sua equipe de professores. Um coral de alunos apresentou brilhantemente "Ideologia", antológica canção de Cazuza... com o lustroso acompanhamento de uma banda prata da casa, composta pelos próprios estudantes. A emoção começou a transbordar naquele instante... e não parou de jorrar em nenhum momento após.

Respirávamos tão somente literatura, poesia, música, teatro... "Pura arte". Uma troca fantástica de experiências entre todos os presentes, com os alunos dramatizando e declamando textos dos autores homenageados e apresentando suas composições.

A metodologia do sarau foi rica de interações. Em princípio, cada autor tinha uma sala específica a sua disposição, pintada com escritos de sua lavra e caracterizada com pedaços de sua vida. E, toda essa caracterização realizada pelo esforço, talento e dedicação dos alunos.

Uma equipe de alunos estudou previamente a obra dos autores. Assim, declamavam seus poemas e dramatizavam seus contos, crônicas, ensaios, etc... Os autores explicavam como elaborados, em que circunstâncias, a quem eram dedicados e qual o formato da expressão literária da composição. E o público participava fazendo perguntas e considerações sobre cada texto.

Em seguida, os alunos apresentaram suas próprias poesias e contos, ocorrendo um debate interessante, considerando-se as linguagens poéticas díspares, decorrentes das diferentes experiências de mundo e estágios de vida.

Concluída as etapas de debates nas salas temáticas, nós (homenageados) fomos recebidos na quadra coberta da instituição: com muita alegria, música, poesia e dramatização dos textos dos autores. A partir daquele instante, a interação foi geral.

Os alunos revelaram seus talentos com soberbas apresentações de músicas autorais e danças coreografadas. Tudo com muitíssimo bom gosto, arte e competência.

Harmonia era o que se percebia... a literatura, a poesia, a música e o teatro, entraram numa sintonia tamanha e intensa, que o ambiente se transfigurou na mais profunda emoção. Vi marejados os olhos dos poetas homenageados, os olhos dos professores... os olhos dos alunos. Todos convictos de que estávamos vivenciando momentos especialíssimos em nossas vidas.

Particularmente, lamento que eventos dessa magnitude e importância não sejam testemunhados pela grande imprensa, por dirigentes das Secretaria da Educação (estadual e municipal), bem como, por diretores e professores de outras escolas públicas.

É um modelo que poderia ser adotado por instituições de ensino públicas e privadas: sem grandes despesas, mas, com compromisso, criatividade e interesse de se fazer um ensino diferenciado.

Diante do que vi naquela escola pública, não foi nenhuma coincidência, durante o evento, o professor Carlos Alberto Viana Fortes anunciar orgulhosamente a conquista da medalha de bronze pelo aluno Leonardo Antônio Lira, na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática, promovida pelo MEC).

São situações como essa que fazem o ensino público atingir patamares mais elevados, mudando o "status quo" da sociedade e criando uma perspectiva de ascensão para aqueles segmentos sociais mais fragilizados economicamente. Enfim... desassistidos pelas políticas públicas.

E, os alunos do ensino médio da "Escola Monsenhor Cícero Portela Nunes" têm plena consciência e uma exata dimensão desse modelo injusto adotado no Brasil, bem como da conturbação social causada pela corrupção desenfreada – pelos desvios da administração pública e ganância da classe empresarial. Reivindicam a inclusão dos negros na sociedade; combatem as agressões ambientais; defendem o sexo livre e prazeroso; e, se insurgem contra a discriminação pelas opções sexuais.

Essa foi a temática predominante nos poemas e nas músicas autorais apresentados pelos estudantes, traduzindo-se numa crítica ácida e procedente em relação às desigualdades sociais de que são vítimas contumazes.

Com uma linguagem simples e direta, tocaram na ferida que sangra abundantemente na vida do país. Um recado dado pela "poesia marginal"... como eles alunos a denominam... direto aos que têm o poder de decisão no Brasil.

E, a poesia marginal tem, sim, a sua importância no cenário da literatura brasileira. Se a educação é o instrumento de transformação da sociedade para diminuir o fosso das desigualdades, a "poesia marginal" e o "rap" são linguagens típicas dos estudantes do ensino médio, reivindicando um país melhor para todos.

Eu erroneamente fui ao sarau acreditando ter algumas coisas para ensinar... saí com a convicção de que aprendi muito mais com os alunos. Agora me proponho a fazer e divulgar “poesia marginal”!

Depois dessa experiência inesquecível, com tantas emoções e sentimentos aflorados, naquela inesquecível manhã, com a presença de mais de 500 pessoas, resta-me agradecer a todos os que fazem a Escola Monsenhor Cícero Portela (CPN) ser um ponto fora da curva no ensino público do Piauí.

Hoje e doravante sou CPN... com muito orgulho !!!



 
Antônio Carvalho Neto
Enviado por Antônio Carvalho Neto em 26/11/2017
Alterado em 03/12/2017
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