Antônio Carvalho Neto
De Poesia ninguém morre... se vive!
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Textos





Antologia: O Amor e a Poesia I



Fuga   (1)


Fugi...
Fugi da vida vivida numa redoma escura,
Fugi de mim mesmo e da minha amargura,
Da rotina triste, medíocre... comezinha,
Dos valores prescritos pela sociedade mesquinha.

Fugi...
Dos louvores estabelecidos pelos preceitos soberanos,
Da certeza que me levou à mesmice tantos anos,
Dos desejos ineptos que perduram ao vento,
Da tintura escura nas flores envernizadas pelo tempo.

Hoje...
Sou o delírio da noite enluarada,
A paixão cega pelas cores da madrugada,
O sabor dos beijos lascivos da mulher amada,
A loucura intrépida da pessoa errada.

Hoje...
Sou o barco à deriva nos portos distantes,
O segredo mais seguro dos marinheiros errantes,
O calor da paixão intensa... mais gritante,
Sou enredo, sina... perversão de amante.
 



 Somos Apenas Um   (2)
 

No olhar cintilante da estrela mais linda,
Encontrei teu sorriso... brilhante,
Fugi como o náufrago em mar revolto!
 
A paixão me cegou, por instantes...
No peito, a dor do segredo mais louco...
Insensatos, os desejos do amante!
 
Por que negar? Por que fugir?
Ainda separados... somos apenas um!




Amor Infinito  (3)

Ainda que o mundo diga não,
Não deixarei de te amar.
Ainda que o céu desapareça,
Não deixarei de te amar.
Ainda que o sol se apague,
Não deixarei de te amar.
Ainda que o mar se esconda,
Não deixarei de te amar.
Ainda qu'eu me afaste de ti,
Não deixarei de te amar.
Ainda que não mais exista,
Não deixarei de te amar.
Ainda que minha vida acabe,
Não deixarei de te amar.

Ah... a Vida é breve, o Amor infinito!




O Fim   (4)


O fim de um amor é triste,
Mas, às vezes acontece...
Irreversivelmente.
Inicialmente discretos,
Com o decorrer do tempo,
Os sinais ficam evidentes,
E se  tornam mais e mais insistentes,
Intensos!

Os olhares deixam...
De seguir o mesmo caminho.
O coração sangra...
Sangra em demasia.
Ainda bate, porém,
Bate devagarinho...
Quase parando,
Como sopro de vela ao vento!

Os projetos de vida, a dois...
Se tornam distantes...
Dia a dia...
Mais distantes,
Até o limite de serem inviáveis,
Inalcançáveis...
inatingíveis...
Vazios!

E o que houve?
O que aconteceu com aquele amor infinito?
E as juras trocadas?
Incompreensão?
Desavenças?
Malquerença?
Desgate?
Vale a pena dicutir isso?

Agora, já não importa...
Os sonhos se vão para outra porta,
N'outra direção!
Chora coração!
Chora de emoção!
Mas... vai embora!
Chegou a hora!
É o fim de nossa história!




Um Homem e uma Mulher   (5)


Um homem e uma mulher...
Escrevem o tudo e o nada,
Numa relação atiçada...
Ele o amante, ela a amada.

Na curvatura do côncavo...
Ou na agudez do convexo,
Espelham a luz da lua,
E o mais profano do sexo.


Iguais a dois animais,
Juntos ou sozinhos...
Fortes ou franzinos,
Percorrem um mesmo caminho.

São como paredes nuas,
Ou tortuosas ruas,
Estradas viscerais cruas...

Um é segredo, outra o mistério.
 


Não Choro Mais... o nosso amor de ontem   (6)


Não choro mais,
Embora, já o tenha feito.
Não corro atrás,
Ainda, que tenha ido tantas vezes.
Não espero nada,
Mesmo que houvesse antes.

Assim, se vier para mim,
Ótimo... mais uma vez 
Caminharemos juntos.
Se não for possível,
Sigo em frente,
Como sempre segui.

E, que as estrelas piscando,
Lá no firmamento,
Privilegiadas testemunhas,
Brilhem intensamente...
Sejam luzes da nossa decisão,
Nesse momento.




 
Pacto de Amor    (7)


Te proponho um pacto,
Que a finitude...
Nunca nos separe,
Mesmo que o sol se acabe,
E que a noite seja tarde,
O Amor continua!

E que o tempo...
Seja apenas um detalhe,
E a saudade nunca atrapalhe,
Que esse amor se espalhe,

Pois, na estrada da vida,
Serás sempre minha rua!



Andanças    (8)


Em minhas andanças tortuosas,
Você é a minha derradeira parada,
Aquela definitiva,
A que me faz um amante intenso e sensível,
Capaz de sugar, por inteiro,
Até os seus pensamentos!

E nessas estradas caminheiras,
Fugi do fogo, saltei fogueiras,
Percorri o mundo, desci ladeiras,
Subi telhados em cumeeiras,
Corri das moças namoradeiras,
Deixei aos prantos as carpideiras...
Te procurando a vida inteira!





 O Amor, o Trigo e a Estrela Cadente   (9)


Nós somos tão iguais,
Quanto somos tão diferentes,
Às vezes, um pouco mais,
Mas, nem sempre... nem sempre.

Sou como o fogo do sol ardente,
És o luar da lua crescente...
O amor nos atrai tão fugazmente,
No brilho-olhar da estrela cadente.

E, somos pães do mesmo trigo,
Que se moldaram noutras fornadas,
Juntos, se fazem abrigo,
Separados, não dizem nada.


Assim, fugir não é o dilema,
Mágoa... se torna problema,
A vida é finita e tão pequena,
Amar, amar... é o que vale a pena.



 
As Escolhas que Fiz    (10)


Olhei, por instantes, a beleza da lua...
Meio que escondida,
Por um resto de nuvens opacas.
Vi algumas poucas estrelas,
Piscando distantes,
Num céu meio turvo e melancólico...
E fiquei a recordar uma parte da minha vida,
Um tanto adormecida no tempo,
Pelas escolhas que fiz!

Sim, quantas saudades tenho do qu'eu vivi,
Dos amigos que nunca mais vi,
Das ousadias que já me permiti,
Dos desejos e ilusões que um dia senti,
Dos amores e paixões qu'eu tanto fugi,
Dos sonhos escorregadios que deixei por aí...
Ah, são pedaços de mim que no tempo perdi!



 Paixão sem Limites     (11)


Nada melhor que varar madrugadas insones,
No calor do teu corpo febril e convidativo...
Nada melhor que duas mentes férteis, sem limites,
Fantasiando tudo o que a sensualidade inventou.

Nada melhor que quatro mãos ávidas,
Explorando a insanidade da paixão selvagem...
E da cegueira tresloucada, despudorada e profana,
Num frenesi inconsequente e desbragado.

Nada melhor e mais louco... que te ouvir sussurrar,
Com voz sumida e rouca, palavras obscenas e desconexas.
Nada melhor que a lucidez do amor e a avassaladora paixão,
Juntas, num instante de êxtase.

Sim, nada como o pensamento rasgado, imoral e proibido...
Nada como a plenitude do amor e a intensidade do prazer,
Conjugadas num mesmo e único ser.
Nada MAIOR que... você em mim e eu em você.

 
Teu Olhar    (12)

Teu olhar sobre o meu,
O calor me aqueceu,
Foi tudo tão de repente, 
Brotou a mais intensa semente,
A paixão aconteceu.

O coração bateu diferente,
Minha pupila tremeu,
Agora sou um inconsequente,
Te quero desesperadamente,
Pra sempre quero ser teu.



 
Post Scriptum

 
Para celebrar um ano de adesão ao RL (04/03/017), sem nenhum critério definido, escolhi aleatoriamente um grupo de vinte e quatro poemas, que têm como cerne o "amor entre o homem e a mulher". 

Posteriormente, dividi em dois grupos... o primeiro (este aqui), numa homengem ao poeta mineiro/carioca Carlos Drummond de Andrade, nascido em Itabira (MG)... ilustre torcedor do Clube de Regatas do Vasco da Gama.


 



 
Antônio Carvalho Neto
Enviado por Antônio Carvalho Neto em 04/03/2018
Alterado em 26/04/2018
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